AO-91 (RadFxSat Fox-1B) está no Ar!

Fotografia: AMSAT
Fotografia: AMSAT

Este nanosatélite foi (finalmente) lançado com sucesso, no passado dia 18 de Novembro de 2017, desde a Base Aérea de Vandenberg, na Califórnia, num fogetão tipo Delta-II da United Launch Alliance. Este veículo é responsável também, pelo transporte do equipamento para a missão JPSS-1 (Joint Polar Satellite System). O RadTxSat é um dos quatro Cubesats que compõem a missão ELaNa XIV (Educational Launch of Nanosatellites), da NASA.

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Cronologia dos eventos do dia 18:
0948 UTC – Lançamento do RadFxSat, a bordo de um veículo Delta II (Delta-7920-10C).
1109 UTC – O RadFxSat é colocado em órbita.
1212 UTC – Confirmação de que o satélite está activo.
1234 UTC – Recepção dos primeiros dados de telemetria.

Após a confirmação, por via da telemetria,  de que todos os sistemas estavam operacionais, Bill Tynan (W3XO), Administrador da Numeração OSCAR, atribuiu ao satélite RadFoxSat (Fox-1B) a designação AMSAT-OSCAR-91 (AO-91).

AO-91 é um Cubesat (1U) que resulta da colaboração entre a AMSAT e o Institute for Space and Defense Electronics da Vanderbilt University. A parte universitária tem por objectivo a medição dos efeitos da radiação nos componentes electrónicos, incluindo a demonstração de uma plataforma orbital para a qualificação de componentes e a validação e melhoramento de modelos de previsão de tolerância da radiação nos semicondutores. A AMSAT construiu a resto do satélite, incluindo a estrutura física, o sistema de alimentação e o computador de bordo.

O equipamento de rádiomador a bordo do AO-91 consiste num transponder FM com:

UPLINK: 435,250 MHz (CTCSS 67,0 Hz)
DOWNLINK: 145, 960 MHz
BEACON: 145,960 MHz
MODE: FM CTCSS 67,0 Hz – 200bps DUV (telemetria sub-audível – DUV: Data Under Voice)

À data da escrita deste texto, a AMSAT recorda que o AO-91 não estará disponível para uso geral enquanto não forem completadas as tarefas de verificação e ensaios, em órbita. [EDIÇÃO] Às 0650 UTC  de 23 de Novembro de 2017, o Vice-Presidente da AMSAT Jerry Buxton (N0JY), entregou a operação do satélite AO-91 (RadFxSat/Fox-1B) às operações da AMSAT através de um QSO com Mark Hammond (N8MH), no transponder do satélite, durante uma passagem do mesmo sobre os Estados Unidos da América. N8MH repondeu e declarou AO-91 aberto para utilização dos radioamadores!

AO-91 (RadFxSat – Fox-1B)
NORAD ID:  43016
INTERNATIONAL CODE: 2017-073D
PERIGEU: 462,6 km
APOGEU: 825,7 km
INCLINAÇÃO: 97,7º
PERÍODO: 97,5 min
SEMIEIXO MAIOR: 7015 km

Programação de memórias no rádio para correcção do efeito Doppler (na transmissão):

Memória 1 (Aquisiçao do Sinal) – TX 435,240 MHz (67,0 Hz), RX 145,960 MHz
Memória 2 (Ascenção) – TX 435,245 MHz (67,0 Hz), RX 145,960 MHz
Memória 3 (Zénite) – TX 435,250 MHz (67,0 Hz), RX 145,960 MHz
Memória 4 (Descida) – TX 435,255 MHz (67,0 Hz), RX 145,960 MHz
Memória 5 (Perda do Sinal) – TX 435,260 MHz (67,0 Hz), RX 145,960 MHz

Telemetria:

A descodificação da telemetria pode ser realizada com recurso à aplicação FoxTelem, desenvolvida pela AMSAT e disponível em https://www.amsat.org/foxtelem-software-for-windows-mac-linux/

foxtelemiq

Os dados Keplerianos de pré-lançamento:

RadFxSat
1 00000U 17017A   17322.46018518  -.00000000  00000-0  00000-0 0   9995
2 00000  97.6969 254.4977 0258300 235.3028 178.8186 14.79656332 -137 06

Os dados Keplerianos (TLE) iniciais de pós-lançamento:

RadFxSat
1 00000U 17000A 17322.46057870 -.00000000 00000-0 00000-0 0 00004
2 00000 97.6996 257.5922 0258900 235.2917 178.7268 14.79536000 0

Dados Keplerianos, corrigidos a AO-91 (22/11/2017):

AO-91
1 43016U 17073D   17324.81992359  .00000855  00000-0  73563-4 0  9991
2 43016  97.6901 259.8749 0259544 229.6727 128.1552 14.77757019   356

AO-91 pode ser um excelente satélite!

Sim, o AO-91 (Fox-1B) tem mais potência no emissor que o SO-50, considerado um dos easy-sats, e nele foram resolvidos alguns problemas ocorridos com o AO-85 (Fox-1A), outro satélite FM. De facto, o AO-91 transmite nos 70cm com uma potência superior a 400 mW (versus os 250 mW do SO-50) e possui um receptor mais sensível nos 2 metros. Teoricamente, este satélite será fácil de operar apenas com um rádio portátil e a respectiva “antena de borracha”.

Uma dificuldade na operação deste satélite pode aparecer na compensação do efeito Doppler que deve ser feita no uplink, enquanto que no SO-50 era feito no downlink. De facto, no SO-50, o uplink era feito em 2 metros, pelo que não é necessário compensar o Doppler. No AO-91, o uplink é feito na banda dos 70 cm; o efeito Doppler é mais pronunciado em frequências mais altas, daí ter de ser compensado pelo operador.  Sem esta compensação, é possível não se conseguir operar o satélite por estar demasiado fora de frequência. É recomendável operar este satélite (idealmente, os outros também), operando em full-duplex para poder avaliar o desempenho da operação.

Parabéns e obrigado à AMSAT por mais este achievement!

Referências:
https://www.amsat.org/meet-the-fox-project/
https://www.amsat.org/getting-ready-for-radfxsat-fox-1b/
https://www.amsat.se/2017/11/12/radfxsatfox-1b-launch-summary/
http://www.ne.jp/asahi/hamradio/je9pel/fox1blau.htm
https://www.amsat.org/countdown-to-launch-radfxsat-fox-1b/

CT7AFR DIY CW-Keyer

ct7afr-cw-keyer

Finalmente, está pronto o meu keyer para CW!

Este projecto começou por ser apenas um oscilador para excitar um pequeno altifalante sempre que fechasse um pequeno botão de pressão  ou uma chave vertical de Morse. Mas durante o meu estudo de CW, apercebi-me de que existem diversos tipos de chave e diversos modos de operação. Então, abandonei o 555 em prol de um microcontrolador para criar um keyer que satisfizesse as minhas necessidades, não ficasse limitado a um único tipo de chave nem a um único modo de operação. Nasceu assim o CT7AFR-CW-Keyer.

Este pequeno circuito aceita chaves do tipo Vertical, Paddle e Bug, tendo as seguintes características:

  • Frequência do Tom: 400 ~ 800 Hz (aprox.)
  • Velocidade de transmissão: 5 ~ 60+ WPM
  • Tipo de chave: Vertical, Paddle, Bug
  • Orientação da chave iâmbica: Standard ou Reverse
  • Modos de Operação: Curtis Mode A, Curtis Mode B, Ultimatic, Bug
  • Relação Dit/Dah: 1:3 ou 1:4.4
  • Saída em Dreno aberto (MOSFET) para controlo de um emissor (modo A1A, ON-OFF)
  • Saída áudio para altifalante de 8 Ohms
  • Saída áudio para headphones ou Line-In de PC (32 Ohms), jack stereo 3,5 mm
  • Volume de som ajustável por potenciómetro
  • LED indicador de POWER ON
  • LED indicador do estado da saída MOSFET
  • Alimentação: 7 ~ 16 VDC

A divulgação do desenvolvimento deste projecto, no Facebook, suscitou curiosidade em alguns colegas de hobby que se mostraram interessados na aquisição de um exemplar. A partir daqui, o projecto ganhou um novo objectivo: ser um kit para aspirantes a CW com gosto pela arte de manusear o ferro de soldar.

Toda a informação técnica acerca deste kit está disponível no capítulo RADIO do AIRLOMBA.NET em http://www.airlomba.net/radio/?pagina=Tecnica&Project=CW_keyer

ct7afr-cw-keyer-webpage

Nesta página, estão também apontados dois vídeos alojados no canal CT7AFR do Youtube. Um destes vídeos demonstra o funcionamento deste keyer.

Finalmente, quem estiver interessado em adquirir um kit destes ou simplesmente solicitar informação adicional acerca do mesmo, poderá contactar-me através do endereço de correio electrónico RADIO <arroba> AIRLOMBA <ponto> NET (visível no banner vertical, no canto superior direito da referida página).

Escrito isto, vou praticar CW… dah-dit-dah-dit dah-dah-dit-dah…

VY 73 DE CT7AFR.

Shutdown button for the Raspberry Pi

shutdown_1
One thing that sometimes bothers me when using an headless embedded Linux system, is the workload I get when I need to power off the system for some hardware maintenance (e.g. adding some sensor, replacing some peripheral, moving the system to another location). Indeed, one cannot just cut the power supply; there is the risk that some files become corrupted. So, the proper way to shutdown a Linux system is to send a command like:

$ shutdown -h now

But to do this, one needs to be “online” with the system, via SSH for example, using another system (computer) that, at that moment, may precisely be OFF… Doh!

So, at the expense of a simple push-button (normally open), a couple of wires and some programming, I implemented a smart(?) way of shutting down my Raspberry Pi, safely, without the need of an extra computer, SSH and other complications.

Connecting the push-button

The push-button is connected to two of the 26 or 40 pins header, depending on the version of the raspberry Pi in use. From those two pins, one is GND and the other may be any free GPIO. Remember that some pins have multiple possible roles (I2C, UART, SPI, etc), so choose wisely. In my case, I plugged the button between pins 14 and 16, respectively GND and GPIO23.

raspi_pinout

Programming

To translate any action on the push-button into a Shutdown command, a script was written in the Pi’popular Python programming language.

In a folder of your choice (e.g., /home/pi), using the terminal command line, enter:

$ nano shutdown_button.py

Then, copy the following code into it and save as usual (CTRL-X + Y + ENTER):

shutdown_2

Testing the script

To test this script, just enter the following command and then press the button once.

$ sudo python shutdown_button.py

If everything is correct, the system should shutdown itself. You must then unplug and replug the power cord to start your system again.

Launching this script automatically after every system power-up

In order to launch this script automatically after every system boot, one must add the following line to the /etc/rc.local file (just before the line with exit 0) as shown in the image hereafter (assuming your script file is in the /home/pi folder):

python /home/pi/shutdown_button.py &

shutdown_3

Final notes

  1. If you prefer to have your Pi to reboot instead of shutting down after pressing the button, in the shutdown_button.py script, in the line containing os.system(“shutdown -h now”), replace the letter ‘h‘ (from halt) by a ‘r‘ (for reboot).
  2. The line stated in the above note is in fact a System Call. So, with this script, you can have your Pi doing “anything you want” after pressing the push-button, just by replacing the command between quotation marks, by another command invoking some application that suit your needs.

Have fun!

 

Simple C code to dump I2C device memory

I have been using I2C devices for a while and most of the times when I put my hands on a new device, I need to dump the contents of its registers on my screen, for debug purposes. For this task, I wrote a while ago a little script. Today, I feel I can share this code to whom it may be useful. Use it at your own risk.

This code was written in C language, on a Raspberry Pi and requires the WiringPi library to be installed.

Once you saved this code into a file (e.g., main.c), compile it with the following command in a shell:

$ gcc -o regdump main.c -lm -lwiringPi -Wall

If all went well and you have some I2C device plugged into your Raspberry Pi, your are good to go as long as you know the device’s bus address (try the command i2cdetect -y 1, if your are not sure of its address or if your device is connected to the bus).

So, once you are good to go, just type the following command, specifying the device’s I2C address and the first and last registers addresses to be read (all in Hexadecimal format):

$ ./regdump <device I2C address> <start address> <stop address>

For example, typing the command $ ./regdump 0x77 0x75 0xd3 returns the following result, from the reading of a BMP085 pressure sensor existing in my I2C bus.

regdump_screenshot

The code is available for download, here!

Feel free to change it to your needs. And if suits your needs, I will be glad to receive some feedback, opinions or critics about it; either via a comment below or via e-mail to webmaster @rrob@ airlomba dot net.

Have fun!

 

O que pode correr mal num SOTA (XIV)

EA1_OU-013

Nem só de caminhadas e operações com rádio, se fazem SOTAs. Uma SOTAda implica uma preparação prévia e algum trabalho de pós-produção, entre outras tarefas mais ou menos óbvias. Este artigo não visa explicar como faço as minhas activações, pelo menos, com o título que tem. Para contar como preparo e executo as minhas activações, escreverei outro artigo, um dia…

Não, este artigo, como o título indica, revela mais uma “armadilha” que pode aparecer na linha de uma activação.

Por já me ter acontecido no passado e por saber que aconteceu com outros sotistas, resolvi deixar por escrito aqui, um pequeno guia de correcção de gafes no LOG da sotada, submetido no sítio sotadata.

O primeiro tipo de erro é comum e simples de cometer. Ocorre quando se está a inserir manualmente no LOG, um a um, os contactos realizados. Trata-se do erro tipográfico. Pode acontecer na Hora, no Indicativo de Chamada ou até na selecção de um dos ítens dos menus drop-down, Band ou Mode. A imagem abaixo, ilustra um desses erros. NOTA: Esta imagem e as seguintes, são apenas ilustrativas e não correspondem a alguma activação real.

Gafe 1

Para corrigir o erro no Callsign, terei de eliminar (Delete) a linha correspondente e voltar a inserir os dados relativos a este contacto. O sistema de gestão de LOGs inserirá a nova linha no local certo, uma vez que os contactos são ordenados cronologicamente, conforme ilustra a imagem abaixo.

Gafe 1 resolvida

A outra situação de erro, ocorre quando o activador se apercebe do erro já depois de ter submetido o LOG ao sistema de gestão (através da acção no botão Finish e posterior confirmação na tick-box “I Agree”). Esta percepção acontece normalmente quando um dos caçadores reclama do erro ou se o activador fizer uma verificação posterior. A imagem abaixo ilustra um situação de erro identificado na consulta do LOG relativo a uma activação.

Gafe 2

Esta situação pode ser resolvida de duas maneiras diferentes, dependendo do tamanho do LOG (número de contactos registados). A solução mais radical passa pela eliminação do LOG e criação de um novo; voltando a inserir todos os contactos, um a um.

A outra solução consiste nos seguintes passos (implica ter feito o login no sistema):

  1. Ir à pagina Activator Log e na linha corresponde à activação cujo LOG contém erro(s), clicar no botão “Download” e gravar no computador o ficheiro CSV oferecido pelo site. SOTA_4
  2. Editar este ficheiro com uma aplicação tipo OpenOffice Calc, Microsft Excel ou outro processador de folhas de cálculo (não esquecendo de gravar o ficheiro alterado no mesmo formato CSV).SOTA_5
  3. Na página Activator Log, apagar o LOG clicando na ligação “Delete”. SOTA_6Na página que aparece em seguida, confirmar o apagamento, clicando no botão “Delete”. SOTA_7
  4. Na página de entrada do sotadata, ir ao menu Submit Log e ecolher o ítem Import Activator TSV/CSV. SOTA_8
  5. Clicando no botão “Browse…”, seleccionar o ficheiro CSV que foi editado anteriormente (isto é, em que foram efectuadas as correcções de erro). Em seguida, clicar no botão “Upload File”. SOTA_9
  6. Se o LOG estiver correcto, clicar no botão “Submit Entry”. SOTA_10
  7. Confirmar a inserção do LOG no sistema para validação. SOTA_11
  8. O LOG já está inserido no sistema, os pontos foram contabilizados, o problema está resolvido. SOTA_12

O SOTA só termina quando o LOG está contabilizado no sistema de gestão de activações da sotadata. Até este ponto, com o caro adepto desta saga(*) deve ter reparado, muita coisa pode correr mal num SOTA…

73 de CT7AFR, Emmanuel.

(*) Se ainda não leu, leia os restantes episódios da série “O que pode correr mal num SOTA“.

O que pode correr mal num SOTA (XIII)

moi_CT_MN-016

Pois bem, a brincar a brincar, cheguei ao décimo terceiro episódio da série O que pode correr mal num SOTA. Por se tratar do episódio treze, este vai ser especial, vou usar psicologia inversa para não ter de mudar o título…

Quinta-feira 8 de Dezembro de 2016, dia feriado em Portugal. Com a meteorologia a prever céu quase limpo no Minho, ficando o “quase” para algumas nuvens cuja base não desceria abaixo dos 2000 metros, esta quinta-feira teria de ser dia de SOTA! E assim foi!

Com o colega e amigo CT1HIX (Gomes), tínhamos sonhado dias antes, riscar da lista os dois cumes da Serra da Cabreira: CT/MN-016 e CT/MN-003.

Contas feitas, atacaríamos o MN-016 em primeiro, estimando o início da activação para as 11:00 Zulu. O Gomes fez o especial favor de me apanhar em Viana para seguirmos viagem até à Serra da Cabreira. Os percursos estavam devidamente planeados no GPS, as estimas do início de cada activação foram anunciadas no sotawatch, da seguinte forma:

  • CT/MN-016 – 11:00 +/- 30 min.
  • CT/MN-003 – 15:00 +/- 30 min.

O primeiro trilho (para o MN-016) era composto por um misto de caminho em terra, corta-mato e estradão de gravilha (daqueles, típicos dos parques eólicos). Com um comprimento de perto de 3,5 quilómetros, estava previsto ser percorrido numa hora de marcha sempre ascendente. O segundo trilho, apesar de ter apenas um terço da distância a percorrer (cerca de 1 quilómetro), era apenas composto por corta-mato, num terreno íngreme e ainda por cima, em socalcos estilo escadas de gigante, para quebrar o ritmo de marcha…

track_CT_MN-016

Tudo começou a correr mal quando chegamos ao início do primeiro trilho, muito antes da hora prevista. Além disto, a subida foi mais fácil do que o esperado; mesmo assim com algumas breves paragens para recuperar algum fôlego enquanto escrutinávamos a paisagem. No cume, fomos acolhidos por uma matilha de cães de caça com ares esfomeados, porém, inofensivos (cão que ladra…). O local era desprovido de vegetação alta, pelo que o risco de ser confundido com algum javali, era reduzido, dependendo apenas da taxa de alcoolemia dos caçadores presentes.

Fomos até ao Vértice Geodésico (VG) existente no local (não aparece referenciado nas listagens da Rede Geodésica Nacional) e apreciadas as vistas, verificamos que o ponto mais alto do cume corresponde às coordenadas oficiais SOTA, sensivelmente a 244 metros a Norte do VG. Foi do local oficial que activei o cume na banda de 40 metros, enquanto o Gomes fazia o mesmo noutras bandas, ali perto.

O início da activação estava previsto para as 11:00, mais ou menos meia hora. No entanto, às 10:31 tinha feito o meu último QSO, num total de onze, entre espanhóis, ingleses, um português, um alemão e um italiano.

É um facto que, na minha pouca experiência sotista, os alertas deixados no sotawatch raramente vêem as horas a bater certo. Confesso que é um pouco por isto, pela falta de pontualidade inerente a este tipo de explorações, que gosto pouco de anunciar antecipadamente as minhas activações. Para a próxima, anuncio a hora prevista com uma tolerância de mais ou menos uma hora (ou mais).

Cerca de uma hora depois, já estávamos no carro a partir para o cume seguinte: CT/MN-003. Este cume dista do primeiro, cerca de 6,5 km em linha recta; o triplo, pelo caminho percorrido de carro.

Este trilho inicia-se num pequeno bosque, para que o carro ficasse à sombra, e representa uma distância de cerca de 1 quilómetro. Apesar da pouca distância, esta ia servir a terceira marcha do dia, sempre a subir e a subir bem, com um ganho total de elevação de 136 metros numa distância rectilínea de pouco mais de 600 metros.

trilho_CT_MN-003

Esta activação estava anunciada para as 15:00. Às 13:20 registava o meu último QSO, de uma série de 18 contactos em doze minutos, com estações espanholas, inglesas, alemãs, suíças e, pela primeira vez nos meus SOTA, sueca. Tudo, como sempre, nos 40 metros.

Regressados ao carro cerca das 14:30, estávamos com um brilho especial nos olhos ao vislumbrar no horizonte, a possibilidade de activar um terceiro cume neste dia: CT/MN-014 (Cerdeira). Instalou-se então a confusão com os GPSs. O tablet (Android) com Navigator, usado para navegar até aqui, não sabia onde ficava o cume desejado (não estava previsto, não tinha sido inserido nos POI). A cobertura GSM era inviável para espreitar a olho, o caminho no Google-Earth. O Etrex tinha os cumes todos para SOTA, mas não era o melhor para navegar de carro por estrada… Recorreu-se então a uma mistura de todas estas ferramentas para convergir visualmente para o cume, até o Gomes (que já tinha activado este cume) ter um flash-back e recordar o caminho a partir de dado momento.

O Sol estava cada vez mais baixo e tínhamos perdido algum tempo precioso na viagem para este cume. Optou-se por chegar tão perto quanto tolerável do cume, de carro. Estacionamos a pouco mais de 650 metros do Vértice Geodésico CERDEIRA, junto à junção de um “caminho de cabras” com o estradão de gravilha.

trilho_CT_MN-014

O trilho percorrido tinha cerca de 700 metros, mas o declive (média de 35%),  aliado ao piso intragável (pedras rolantes e regos de água), fizeram-me perder o pio a dado momento (quem me conhece, sabe que sou conversador). O ritmo da escalada, em contra-relógio com o sol poente, provocou em mim um silêncio tão prolongado que assustou o Gomes que caminhava à minha frente…

Às 16:04 conseguia com alguma dificuldade, o primeiro de 7 QSOs. Depois, a greyline fechou a propagação. Quando eu dava por terminada a minha activação, fiquei a saber que o Gomes não tinha conseguido nenhum contacto em diversas bandas. O frio apertava cada vez mais, a propagação dava ares da sua graça, a bateria do meu rádio estava nos vapores, mas com insistência e teimosia, lá voltou a aparecer a santa propagação dos 40 metros e esta permitiu ao Gomes validar o cume com alguns QSOs nos 40 metros também.

Cerca das 19:00, estava novamente à porta de casa, 12 horas depois de ter encontrado o Gomes no ponto de encontro. Foi um dia em que o que correu mal fica quase imperceptível, junto do facto de termos validado 3 activações num dos cantos mais remoto da região Minho. Positivo, foi também o teste ao equipamento em condições mais agrestes, desde o vestuário especial recém-adquirido à autonomia da bateria. Tenho de reconhecer também que a última activação foi concretizada com alguma sorte, dada a hora a que ocorreu, em que a propagação dos 40 metros estava de partida.

Os ficheiros GPX com os trilhos percorridos estão disponíveis no sotamaps e na secção SOTA do meu site.

Ao Gomes (CT1HIX), fico agradecido pela excelente companhia neste dia.

73 de CT7AFR, Emmanuel.

O que pode correr mal num SOTA (XII)

Hoje foi dia de aproveitar uma oportunidade inesperada na agenda da família e na meteorologia, para fazer um SOTA num dos cumes próximos do QTH que deixei para os dias curtos de Inverno. Hoje foi dia de activar o Monte de São Gonçalo (CT/MN-041), cujo início da subida fica a pouco menos de 30 minutos de carro, de Viana do Castelo.

Trabalhinho de casa feito há meses, foi meter as tralhas no carro, despedir-me da família e meter-me a caminho. Como o título desta rubrica sugere, algo correu mal. E como hoje estou com pressa, não me vou alongar muito neste texto, com suspense e outras líricas. Vou desde já, exibir a imagem abaixo, para ilustrar o que aconteceu…

Correu_mal

É isso! O trabalho de casa, baseado na observação de carta topográfica e ortofotos, indicava-me a existência de um pseudo-trilho que me permitiria encurtar a distância a percorrer. Chegado ao local, encontrei o pseudo-trilho conforme o esperado. Era um “trilho” marcado pela passagem de veículos com 4 rodas (2, se forem carroças). Mas a partir de dado ponto, o trilho passou a ser marcado pela passagem de água. Neste dia, por falta de chuva, o trilho estava praticamente seco. A pouca humidade visível pertencia aos musgos que cobriam as pedras e aguardavam que me aventurasse neles para, provavelmente, espalhar-me ao comprido…

O declive era o esperado, de acordo com o trabalho de casa já referido. O que não era esperado, era uma parede de rocha no local onde termina o traço azul, parcialmente circunscrito a amarelo. Era apenas uma parede de rocha porque não havia água; assim que chover, será uma cascata!

A imagem não ilustra os rodeios que fiz à cascata para tentar contorná-la. Passaram-se uns minutos e decidi voltar para trás. Naquele momento, já não confiava nesta parte do meu trabalho de casa e não queria arriscar outra surpresa eventual, a montante da cascata.

Agora, no QTH, ao estudar a caixa negra da minha viagem (log GPS), apercebo-me que neste apêndice, perdi apenas 11 minutos. Porém, com base no que senti na pele (literalmente – o trilho está forrado a tojo e silvas), juraria que foram pelo menos 30!

Regressado ao estradão que desenha uma boa parte do trajecto, impõe-se realçar a inclinação do mesmo que logo desde os primeiros metros, põe o coração a bater nas 110+ bpm. A distância total percorrida foi de quase 3 km, feitos em 1 hora e 3 minutos. Não fosse o desvio inútil, a ascensão teria sido feita em 50 minutos.

Esta activação, realizada unicamente na banda dos 40 metros, somou 29 QSOs com operadores de Portugal, Espanha, Reino-unido, Itália, Bélgica e França; em cerca de 15 minutos. A viagem de regresso demorou exactamente meia hora.

O ficheiro GPX do trilho está disponível no site SOTAMAPS ou aqui:

73 de CT7AFR, Emmanuel.

O que pode correr mal num SOTA (XI)

O cume CT/MN-029 (Senhora da Lapa) é um cume tão acessível que dá para lá ir de carro. “Lá”, isto é, na zona dos 25 metros abaixo da cota do cume. Um cume que despertou em mim uma dúvida geológica, ou geográfica: O que define o cume de uma montanha? A parte mais elevada do seu terreno ou a parte de cima do penedo que está sobre a montanha? Bom, para mim e para efeitos das minhas sotadas, o cume é o ponto mais alto existente na montanha a activar. Aquele ponto do qual se pode olhar a toda a volta de cima para baixo… O cume CT/MN-029 é uma montanha sobre a qual repousam alguns penedos gigantescos. Tão grandes que só consegui chegar-me aos penedos, subir aos mais pequenos e ficar a olhar para os maiores. O trilho percorrido inicia-se junto a uma capela (da Senhora da Lapa) que foi construída “à sombra” de um destes penedos, típicos da região.
Capela da Senhora da Lapa
Não foram porém, os penedos que iam estragando a sotada, não. Tentei chegar tão alto quanto a vegetação, as minhas pernas e mãos permitiram, mas não consegui atingir o “meu” cume. Faltaram um machado e/ou uma escada com uns 5 metros… Já que dá para chegar ao local de carro, da próxima vez que for activar este cume, trarei a escada “na mochila”; mais não seja para fazer o vídeo de 360 graus e substituir o que deixei aqui (https://www.youtube.com/watch?v=iv4JMTmBi00), pois sobre este penedo só é possível montar uma antena vertical, uma vez que não há espaço para um dipolo em V-invertido como o meu.
CT/MN-029
Se não foram os penedos a colocar em risco a sotada, o que foi? – pensa o leitor – o que correu mal nesta sotada? Várias coisas! Tantas que só faltava mesmo uma avaria no equipamento para estragar a sotada e a tarde (de alguma forma).

A montagem do shack foi feita na beira do estradão que passa na zona SOTA, para facilitar o esticanço do meu dipolo de meia onda para a banda dos 40 metros. Ainda assim, foi preciso algum malabarismo com a vegetação alta e os ramos dos pequenos eucaliptos que por lá estavam. Se a montagem da antena foi complicada, mais difícil foi a desmontagem da mesma que ia ficando presa nos galhos e cujos “braços” voltaram ao dono, cheios de resina e pó de terra. Resumindo, a antena ficou um nojo! Lembram-se de no último episódio desta saga, ter voltado para o QTH com a antena molhada? Desta vez, foi pior: resina e pó. O coaxial também voltou para a mochila com resina q.b.

A estes ingredientes, juntou-se algum stress pela pressa com que ia sendo arrumado o shack. «Pressa? Então porquê?» – perguntam vocês. Eu explico. Nesse ameno sábado de tarde de Outono, ainda não tinha feito o meu primeiro QSO que fiquei rodeado de cabras; pacíficas.
As cabras, junto ao trilho de regresso ao carro
As cabras, a alguns metros do trilho, no regresso ao carro.
Timidamente, lá comecei a chamar na frequência enquanto as cabras e eu trocava-mos olhares de atenta curiosidade. Após o primeiro QSO, pensava eu que a selfie da sotada ia ficar fixe se aparecesse alguma cabra na imagem. Mas não deu. Nem uma foto! Pois durante aquele que iria ser o meu último QSO (apenas o sexto), reparei que as cabras se afastaram de mim enquanto um chocalho se ia aproximando por trás. Volto-me e lá estava ele a olhar de frente, fixamente para mim. Mas que bela besta! E que arrepio senti na espinha (acabei de voltar a sentir, enquanto escrevo este texto). A uns 10 metros de mim, permanecia imóvel um belo macho de raça Cachena, solitário, com pêlo preto a lembrar os touros ribatejanos, degradando para o castanho típico desta raça. Para me acalmar do susto, pensei para mim: «ah e tal, são animais pacíficos, habituados à presença do Homem…».
Belo boi de raça Cachena
«Ah e tal o caraças! Queres ver que o gajo quer participar comigo na activação?!» – pensei eu, em sobresalto, quando o vejo a dirigir-se para mim. Com o cavalheirismo de quem cede a passagem a uma donzela, coloquei o eucalipto que segurava no meu rádio, entre o animal e eu, sem nunca o perder de vista. Os segundos que demorei a perceber que ele não queria nada comigo, pareceram horas. Mesmo assim, por mais duas ou três vezes, ele virou-se de frente para mim, com as orelhas a desenhar o alfabeto grego no ar. Ainda agora não sei se ele estava chateado com a minha presença, mas no momento, com os mínimos superados, optei por terminar a activação, arrumar tudo e voltar para o carro, como quem não quer nada.

Sempre de olho no boi que volta e meia adoptava uma pose ameaçadora (penso eu, do alto da minha ignorância), lá consegui lutar contra a vegetação que não queria deixar-me levar a antena de volta para casa. Acabou por ceder à minha vontade, deixando as suas marcas resinosas por todo o lado. Para trás deixei o belo boi, caminhando calmamente em direcção ao carro mas com os ouvidos sintonizados no chocalho.
Desta activação, resultaram apenas 6 QSOs. A activação da manhã (CT/MN-025) tinha sido mais rica em contactos (18), apesar de estar a decorrer o concurso CQWW.
73 de CT7AFR, Emmanuel.

O que pode correr mal num SOTA (X)

Porcaria de WX para amanhã

Com o Outono à porta e o Inverno a caminho, chegou o momento de impermeabilizar o equipamento de SOTA. As últimas duas semanas foram de céu nublado nos dias úteis e fins de semana com aguaceiros. O meu corpo já estava a ressacar da falta de RF ao ar livre. Na lista de espera estão as Penedas (MN-008 e MN-017) mas as previsões meteorológicas não autorizam caminhadas sobre penedos molhados. Impõe-se a escolha de um cume mais baixo e mais perto do QTH: CT/MN-048 Monte de Góis (erradamente referido como “Vila Nova de Cerveira”, nos documentos oficiais SOTA).

D-1 / 2155Z: Última consulta às previsões meteorológicas de 4 fontes diferentes, último contacto BF com o CT1HIX para rever alguns detalhes. 50% de probabilidade de ocorrência de precipitação de cerca de 1mm/3h com vento fraco a partir das 1000Z… Vamos nessa Vanessa!

Dia D / 0400Z: Wake up! Às 05:30 temos de estar no “meeting-point” (N41.909050 – W008.760976) onde ficarão os carros e de onde seguiremos a pé até ao cume do Monte de Góis. São cerca de 2300 metros de estrada de terra batida e pedra, devidamente sulcada pelas chuvas, porém “navegável” em veículo Todo-Terreno.

Segundo o estudo prévio do caminho, o ganho em altura é de apenas 160 metros. No entanto, este ganho é apenas acumulado nas últimas centenas de metros do caminho; aquilo sobe, sobe, sobe!

Meeting-point: São 0530Z, está uma escuridão que só não é total graças à poluição luminosa que é reflectida no tecto de nuvens. Ainda assim, são precisos alguns minutos para os olhos se adaptarem à luz ambiente, depois de ter extintos todas as luzes do carro, telemóvel ou GPS.

Chegou o companheiro de SOTA, o colega e amigo Gomes (CT1HIX); não está a chover, apesar da chuva que nos acompanhou nos respectivos caminhos desde os respectivos QTHs. Mochilas às costas, canas de pesca à mão, última confirmação de que tudo está pronto para seguir viagem e de que os carros ficam trancados, aí vamos nós! Às escuras que lanternas é para meninos! Não, não foi isto que correu mal, havia lanternas mas não fizeram falta… 🙂

O caminho fez-se bem, polvilhado com breves pausas para deixar o corpo habituar-se ao ganho de altitude, cof cof cof… arrrf!  Umas das vantagens de não caminhar sozinho é a caminhada parecer mas breve do que ela é. E se a conversa for radio-eléctrica, tanto melhor. Ao chegar ao fim do caminho (ver trilho aqui) encontra-se um portão aberto que dá acesso a um complexo de emissoras diversas e de um PT com um alpendre apropriado para abrigar das intempéries, um par de sotistas. Do outro lado deste complexo, fica o Vértice Geodésico.

Radioamador abrigado da chuva e do vento, "protegido" dos mosquitos

Chegados ao cume, salta à vista a falta de espaço para dipolos de HF. Na imagem acima, vê-se o dipolo da banda dos 40 metros, cujas extremidades dos braços ficam a uns míseros centímetros da cerca metálica. O local aparenta uma certa falta de cuidado com a vegetação a recuperar o terreno que outrora lhe foi tirado, mas aquele alpendre valeu ouro nesta manhã chuvosa.

O que mais podia correr mal nesta activação? Os mosquitos que nos devoraram sem dó nem piedade e cujas proboscis eram tão eficazes que até através da roupa chegavam onde estava o néctar. Entre outros papos aqui e acolá, eu fiquei com três nádegas, o Gomes voltou para casa com um olho à Camões. Sacanas dos mosquitos do campo não gostaram de ver o seu lar invadido; ou será que adoraram? Afinal, não é certamente todos os dias que provam sangue de sotista, enriquecido com o precisoso RF da mais alta sintonia… (vou ali tomar umas gotas).

E ainda? QRM? Já estamos habituados. Neste local, S8 para quem quiser, nos 40 metros.

Enquanto operamos, a chuva intensificou-se e veio acompanhada de um vento fraco. Apesar de todos os preparativos de impermeabilização do equipamento, foi já depois da activação que surgiu um aspecto no qual não tinha pensado. O equipamento e o operador (neste caso, eu) foram para o cume bem acondicionados, à prova de água. Do que não me lembrei, é que depois da activação à chuva, a antena e o coaxial estariam molhados e teriam de voltar para dentro da mochila, juntinho do rádio!!! Valeu-me o par de calças impermeáveis que trazia na mochila para embrulhar a fiarada. A juntar ao check-list para o próximo scuba-sota: uns sacos estanques, um pano absorvente e eventualmente, um saco de gel de Sílica para ir absorvendo humidade do ar dentro da mochila, durante o transporte.

A descida foi toda feita sob uma chuva um nadinha mais pesada do que a de molha tolos (molha parvos, morrinha); ainda assim chegamos aos respectivos carros com as capas completamente molhadas. Para trás ficou o cume e a dupla satisfação de lá ter ido e de o ter activado.

CT/MN-018

Concluindo, pela parte que me toca, foi um SOTA molhado mas validado com um S2S entre os dez QSOs, dos quais destaco o meu primeiro contacto com os Estados Unidos da América, em 40 metros SSB. Curiosamente também, esta foi a primeira activação (das trinta já realizadas) em que nenhuma estação espanhola atendeu as minhas chamadas; porque será? Seria da QTR? 🙂

73 de CT7AFR, Emmanuel.

selfie